A fase enlutada
- Thaisa Busch
- 15 de nov. de 2016
- 4 min de leitura
O processo do luto após a perda é delicado, mas fundamental. Acompanhado por um misto de sentimentos que se refletem até em sintomas físicos, o luto deve ser observado com atenção para não trazer consequências perigosas.
Apesar de doloroso o luto é um estado que deve ser vivenciado de uma forma correta. Perder alguém de que gostamos muito, nos traz uma tristeza muito grande. Essa fase após a morte é um tempo o qual a pessoa tem para colocar seus sentimentos nos devidos lugares.

- O luto trouxe momentos revoltantes, angustiantes, de incertezas e culpa. Todos me diziam que eu deveria vivê-lo e confesso que inicialmente não entendia isso, já que em minha cabeça seria eterno. Com o passar dos dias aprendi que o luto foi um período de entendimento e compreensão. Busquei nele tentar compreender os desígnios da vida e os obstáculos que teria que enfrentar. Procurei me estruturar emocionalmente de acordo com cada fase que ainda viria. Tive pensamentos horrorosos que me arrependi depois até mesmo de pensar, mas que tinham que existir.
Dizem que passamos por um processo e realmente passei: Logo após a descoberta, houve a negação, onde eu não queria acreditar no que tinha acontecido. Quando percebi a real situação tive muita raiva e me senti injustiçada. A negociação foi feita com Deus, mas não obtive sucesso. A depressão veio logo após cair em consciência. A aceitação foi inevitável
Houve a culpa...Pensei que o fato de ter comido uma pizza no final de semana teria sido o motivo, pensei que a tinha amado de menos, conversado de menos... Em todos os pensamentos, a culpa era minha.
Todos me diziam para não me culpar, mas era impossível. O sentimento era devastador e inexplicável. Muitos da minha família comentaram sobre uma ajuda psicológica e eu concordei desde o início, porém, há anos atrás eu já passei por uma psicóloga, e só aceitaria voltar se fosse com ela. Assim fiquei de procurá-la para começar algumas sessões. As dores físicas só não eram piores do que as da alma. Essa sim era e é interminável. Até hoje sinto como se um pedaço do meu coração tivesse sido arrancado – não é modo de dizer... Sinto que falta uma parte que nunca mais será ocupada. Aquele espaço era da Catarina e se foi junto com ela. Eu e o Raul resolvemos começar a viver por ela, pra ela e para o Pinga, nosso outro filho – de quatro patas. Nosso primeiro "destino" fora da nossa rotina foi um barzinho que frequentávamos muito antes da gravidez. Assim que ele estacionou o carro, uma vontade de voltar... Só de imaginar a cara de dó das pessoas, me deixava desesperada. Esperei ele conversar com todo mundo, “ajeitar o terreno” e sai, sai de cabeça em pé. Meu único e maior medo eram as pessoas que não sabiam do ocorrido, as que sabiam, por mais doloroso, era mais fácil de lidar. Nesses casos eu começava RELATAR a história como se fosse de outra pessoa e pronto, passava.
A partir dai começamos a nos socializar mais e falar sobre outras coisas. A isso é algo que eu tentei fazer desde o início. Por mais que só pensasse e pense na Catarina, eu tento falar sobre outras coisas com meu marido, familiares. Pelo amor de Deus, não me entendam mal... A Catarina é minha filha e do Raul, e não há pessoas no mundo que lembrem mais dela do que nós, e por isso mesmo não há o porquê só termos esse assunto. Perdemos nossa filha (matéria), mas ganhamos a nossa anjinha e isso deve ter algum motivo. Qual? Ainda não sei. Quando vi alguns vídeos da Carol Oliva, uma coisa que ela disse me chamou atenção. Ela pergunta sobre qual filho gosta de ver seus pais chorando? Eu não gosto, então acho que a Catarina não deve gostar também. Não sou tão forte, às vezes choro e muito de saudade, mas peço perdão por isso, pois se foi a vontade dela e papai do céu, quem sou eu? O luto me ensinou ainda mais que nada está sob controle. Não entramos em luto e saímos quando queremos. Ele é um estado de emocional que temos que superar.
E superamos?
Não é bem essa palavra. Não tem como superar a perda de um filho, como se supera o término com o ex.
- Eu não superei a morte da Catarina, mas superei a fase mais angustiante que tive. Como já disse, um pedaço do meu coração se foi junto com ela e tenho a plena certeza que nunca mais será substituído ou "regenerado". Independente dos meus futuros filhos, não existe substituição. Mas tenho que viver, pois sei que a vida não acabou...Tenho muita gente que me ama e meus pais que não viveriam sem mim. É justamente por essa família maravilhosa e pela Cat que estou caminhando. Acredito que tudo ficará mais fácil quando tiver em uma nova gravidez. Meu novo(a) filho(a) vai me trazer conforto e alegria.
Ajuda profissional
Acho válido e muito bom mesmo. E sabe aquelas pessoas que te falam que você não precisa? Anule. Sou da opinião que todo mundo precisaria passar com um psicólogo(a), pois todos temos problemas mal resolvidos, todos, sem exceção. Então se alguém te falar que você não precisa, não acredite.
- Após três meses eu voltei a procurar minha maravilhosa psicóloga, que é bem pertinho do meu trabalho. A Dra. Taís me recebeu de braços abertos e tem sido incrível até agora. A verdade é que sinto necessidade de falar sobre a Catarina e como havia dito, tocar nesse assunto toda hora entristece as pessoas ao redor, porque realmente é triste. Com ela eu posso falar, chorar e me confidenciar, sem que ela me olhe como vitima sabe? Isso é maravilhoso! Quero continuar o tratamento e fazê-lo principalmente durante uma nova gravidez. Isso porque, os nove meses serão difíceis em questão emocional, financeira e psicológica. Com um amparo as coisas ficarão mais fáceis, até pelo fato de saber distinguir o que é realidade e o que é piração. Portanto, se tiver oportunidade e vontade, vá sem medo. Para vocês terem uma ideia, a Dra. super me apoiou na criação do blog. Obrigada Ta <3
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