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O depois...

  • Foto do escritor: Thaisa Busch
    Thaisa Busch
  • 5 de nov. de 2016
  • 4 min de leitura

Desde que tudo aconteceu, minha maior dúvida era como sobreviveria. Como retomaria meus dias? Como seria minha relação com meu marido? Como falaria para as pessoas sobre o ocorrido? Como voltaria para casa sem minha filha? Sair da maternidade de mãos vazias foi ........ O caminho até em casa era sombrio, sem vida, sem luz.

Quando cheguei em nosso quarto tudo estava intacto - decisão do meu marido, pois ele queria que eu decidisse o que deveria ser feito. Optei por guardar tudo na casa da minha tia. Chamamos um profissional especializado para desmontar os móveis e minha mãe e tia ficaram responsáveis por embalar tudo. Não, eu não quis participar! Decidi deitar no peito do Raul e dormir. Quando acordei, tudo estava vazio, assim como a minha vida.

- Depois da perda meus dias nunca mais foram os mesmos. Nunca imaginei que poderíamos lembrar de alguém todos os minutos. E desde então, eu lembro da minha filha, da hora que eu acordo, até a que vou dormir. Penso em como seria se ela estivesse aqui, com quantos dias estaria, qual roupa estaria vestindo, qual programa estaríamos fazendo.

Era o momento de viver meu luto, mas também precisava me reerguer. Percebi como tinham pessoas que me amavam e como meu marido me amava. Então, me apeguei no espiritual. Acho que esqueci de contar como voltei a ter fé.

- Ainda no hospital, enquanto estava recebendo medicamentos para dilatação, haviam me dito que em alguns casos o procedimento poderia levar três dias. Isso me assustou muito. Então, em um momento de angústia, deitada com meu marido na maca, eu pedi, implorei para que se Ele existisse, Ele deixasse eu tê-la logo. Pedi também a Catarina, pois queria conhecê-la. Olhar seu rostinho, tocá-la... Eu tinha esse direito.

Após alguns minutos senti um "soco" em minha barriga, adormeci e quando acordei a minha bolsa tinha rompido - o que aceleraria o processo de dilatação. Foram mais umas 7 horas até o parto.

Ouvi explicações de todos os tipos de religião. Me apeguei em cada uma delas, buscando algo que me convencesse e me ajudasse a "caminhar". Ouvi sobre reencarnação, fatalidade, entre outros. Mas ainda tudo era muito difícil em minha cabeça, parecia mais um pesadelo, um pesadelo que eu rezava para acordar.

Com o passar dos dias, muitas provações aconteceram e minha explicação começou a ser, que tinha que ser. Isso mesmo, tinha que acontecer. Apesar do que eu viesse descobrir, qual a causa, eu nunca tive nenhum sintoma que justificasse o fato. E existem tantas pessoas que passam por diversos obstáculos e conseguem ter seus filhos. Há tantas mulheres na rua que não querem e têm. Há tantas drogadas que têm .... Então, por algum motivo espiritual, minha princesa Catarina tinha que ficar nove meses comigo, me ensinar o amor incondicional e partir para os braços do Pai, do nosso Pai. E quanto aprendizado viu?

Sim, existiu uma pessoa pelo qual eu daria a minha vida, sem pensar 1 milésimo de segundo. E hoje, hoje ela é meu anjo, minha bênção, meu motivo.

A rotina se instaurou e a vida de todos começou a andar. Natural, afinal, quem a perdeu fomos eu e meu marido. Mas não nego, foi difícil.

Resolvi então que assim que estivesse bem fisicamente o melhor era voltar a trabalhar.

Os médicos que consultei não aprovavam, mas o que eu faria quatro meses, sozinha em casa? Decidido! Assim que meu físico estivesse apto as atividades diárias eu voltaria. Precisei de um mês em média para que o corte cicatrizasse e minhas emoções fossem "controladas".

Durante esse tempo em casa recebi muitas visitas. Minha prima, por exemplo, já tinha passagem comprada para passar alguns dias comigo e com a Cat, com o ocorrido nossa programação foi assistir filmes, todos os dias juntas. Meu pai, minha irmã e sua mãe vinham todos os finais de semana me visitar. Minha equipe do trabalho fez questão de passar uma tarde para conversarmos. Minha amiga, Dri, como em todos os dias, fez questão de estar presente e me ouvir.

- Esse é um assunto que ainda quero comentar, a amizade. Com todo o ocorrido eu vi que a grande amizade está com você também nas horas ruins. Nunca irei me esquecer de suas visitas diárias no hospital, mesmo após um dia corrido. Mas, acima de tudo, nunca esquecerei da noite em que me falou que só precisava estar comigo. E hoje eu só posso te agradecer.

Outras visitas mais falaram do que me ouviram. rss

Retornando para o trabalho, minha equipe (Flávia, Débora e Adriana) tomaram conta do meu maior medo... ser questionada sobre a gravidez. Elas contaram para todos sobre o ocorrido e pediram discrição. E assim é até hoje.

Evitei sim de voltar em certos lugares e ainda evito. Acho que é melhor assim! Poucas vezes até agora fui exposta a situações constrangedoras, mas quando fui, contei a verdade e me "levantei". Não vou negar que não mexeu, que quando cheguei em casa não chorei, mas acho que tinha que passar por isso.

- Dizem que Deus não nos dá uma cruz maior que podemos carregar. Talvez seja essa a minha. A Cruz de já ter perdido uma filha para saber essa dor. Como já disse meu maior sonho sempre foi ser mãe e por algum motivo deveria conhecer esse lado da maternidade. O sofrimento da mãe que perde um filho.

Retornar a minha vida me ocupou a mente e me fez sentir útil. Sempre amparada e compreendida eu voltei. Voltei com fome, com fome de explicações, e coloquei em minha cabeça que descobriria o porque, de qualquer jeito.

Tomei algumas decisões burocráticas, como melhorar o atendimento do meu plano, para que em qualquer processo eu estivesse munida de bons laboratórios e até mesmo um bom hospital para a próxima gestação.

Aliado a isso, comecei a procurar médicos de alto risco. Achava que eles me dariam o suporte necessários para qual fosse a causa.

Foi então que a Flávia, por indicações me falou de um médico de alto risco, especialista em perdas gestacionais e fertilidade. E como Deus estava comigo, ele ainda era de São Caetano.


Até o próximo post....

 
 
 

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