A descoberta
- Thaisa Busch
- 7 de nov. de 2016
- 8 min de leitura
Na alta, um médico de alto risco, muito atencioso por sinal foi me entregar as papeladas com a análise de todo acontecimento, as imagens do nosso ultimo ultrassom, a receita com remédios que deveriam ser tomados, inclusive um que faria meu leite não "desenvolver". Santo remédio! Ele me passou recomendações para os próximos dias também, onde teria que enfaixar os meus seios, para que o leite não fosse estimulado. Assim eu fiz, por ao menos quatro dias. Graças a Deus deu tudo certo e não tive leite.
Quero deixar claro que já li vários casos de mães que doaram e acho essa uma atitude maravilhosa. Mas, foi melhor assim para mim! Minha única pergunta a ele foi:
-Quando poderei engravidar novamente?
Ele me disse que pelo parto normal, em quatro meses estaria fisicamente liberada, mas que claro, houvesse um acompanhamento médico. A partir disso comecei a contar os dias passar.
-Desde o ocorrido, minha maior vontade era ser mãe novamente. Ainda tenho a sensação que fui só temporariamente interrompida. Estranho né?
O Dr. também nos explicou que após 15 dias ficaria pronto o laudo da minha placenta para retirada. Laudo esse que falaria as possíveis causas do acontecimento com a Cat.
De imediato não me preocupei, pois quando meu médico me visitou no hospital ele me disse que a causa poderia ter sido o cordão, já que nunca apresentei nenhum sintoma de alguma doença. Me desculpe os detalhes esquecidos. Mas, quando a Catarina nasceu, a médica disse que tinha uma volta de cordão em seu pescoço. Motivo pelo qual não justifica nenhuma morte, já que há casos de nenéns que nascem com até cinco voltas, mas também não seria impossível.
Esse detalhe foi passado ao meu médico e nos convencemos que essa seria a explicação, pelo menos naquela época.
Nesse meio tempo, até dar os 15 dias, meu médico foi me visitar em casa, para analisar as questões físicas e emocionais, incluindo a receita de um antidepressivo, que optei por não tomar. Ele então pediu para olhar todos os meus últimos exames e como o esperado, NADA. Não havia nada que tivesse passado desapercebido. Foi então que ele me explicou que todos os exames são protocolos mundiais, não é ele que define o que pedir de acordo com a cara da pessoa. Existem protocolos de acordo com cada caso. Ele ainda me pediu que eu assim que me sentisse melhor, retornasse ao consultório para fazer alguns exames.
Após uma semana, mais ou menos, meus pontos estouraram, arrebentaram, ou seja lá o que foi. Decidi então ir ao médico ver quais procedimentos deveria tomar, já que em casa, todos os receitados eu já fazia. Ele me passou alguns antissépticos e disse que logo melhoraria. Fiz tudo com o máximo de cuidado e rezando para que esse não fosse outra batalha como já havia lido em alguns casos de infecção e demora na cicatrização. Em uma semana tudo estava fechado.
- Também tive uma reclamação quanto a uma dor em uma das minhas coxas, e ele disse que deveria ser investigado, passando assim um ultrassom. Essa dor me impossibilitava de ficar muito tempo em pé, até mesmo para tomar banho ou caminhar. Ela era tanta que me baixava a pressão. Claro que também pesquisei e vi que poderia ser recorrente a cirurgia mal feita ou até mesmo uma trombose. O dia da retirada chegou e o Raul que se encarregou de buscar o tal laudo. Lembro de como se fosse hoje ele me falando a triste sensação de retornar a maternidade que tanto sofremos. Pedi para que ele tirasse uma foto da tal folha e me enviasse para que eu já começasse minha pesquisa informal. Eram mais ou menos uns oito tópicos com diversos nomes e quadros que não entendia, mas que tive a paciência de procurar 1 por 1. O que me chamava mais a atenção era a pressão alta - nas minhas últimas duas consultas, a minima da minha pressão alterou, e houve um período que acabamos achando que essa teria sido a causa, já que o médico não me receitou nenhum anticoagulante, como o AAS, por exemplo - e aumento de deposição de fibrina peri e intervilositária, com trombose subcorionica.

Resolvi que levaria esse laudo a alguns médicos, em busca de diferentes avaliações. O primeiro que consegui atendimento foi bem próximo a mim. Médico de vários hospitais "famosos" olhou meu laudo e simplesmente me disse que há certas coisas que não se explicam e que era muito cedo para qualquer definição. Voltei para casa achando que tudo não tinha passado de uma grande fatalidade. Já tinha marcado mais alguns, mas não cansava de procurar por bons e renomados especialistas em perdas gestacionais. Marquei consulta com o meu obstetra também, que logo quando viu o documento disse que teríamos que pesquisar mais sobre a trombose subcorionica. Porém, ele só me receitaria esses exames após 1 mês. Como assim? 1 mês para começar a investigar? Jamais! Como já havia comentado, eu tinha fome de explicações. Foi então que minha patroa, a Flávia, conseguiu o contato daquele médico de São Caetano. Lembram? O Dr. Guilherme Loureiro Fernandes é especialista em Pré-natal , Ginecologia, Medicina Fetal,Perdas Gestacionais. Além de coordenador da Pró- Matre, uma das melhores maternidades de São Paulo, ele também atende em dois consultórios (um em SP e outro em São Caetano), além é claro de atender no posto público aqui da cidade. Abençoado! Entrei em contato com ele e junto com minha sogra e minha cunha, Priscila, mexi meus pauzinhos, conseguindo uma consulta para o dia seguinte no posto de saúde. Foram três horas de espera, na verdade um imprevisto, bem naquele dia, mas um imprevisto. Levei a batelada de exames e o tal do laudo. Um circulo enorme ao redor do aumento de deposição de fibrina peri e intervilositária, com trombose subcorionica. - Você é o que eu chamaria de uma paciente TROMBOFÓLICA. Bom, acreditei na hora, já que dois médicos havia falado a mesma coisa só de olhar,a bendita da TROMBOFILIA. Descartemos aquele inútil que não falou nada.
TROMBOFILIA - Trombofilia ou hipercoagulabilidade é a propensão de desenvolver trombose devido a uma anomalia no sistema de coagulação. É uma maior propensão à "ocorrência de eventos trombóticos venosos". Traduzindo: é uma tendência ao chamado “sangue grosso”, que, na prática, contribui para o entupimento de veias. Não se trata de uma doença, mas de uma condição que pode ter diferentes causas.
Na mesma hora ele começou a me passar exames e mais exames e mais exames. Até para o meu marido ele receitou alguns de genética, investigando uma possível incompatibilidade de genes. Um dos exames ele foi taxativo em dizer que deveria ser feito em um laboratório especifico no RDO, na Avenida Brasil em São Paulo. Todos os outros foram liberados para serem feitos no Salomão Zoppi, coberto pelo meu plano. Ao todo, uns 20 exames. Diferente dos outros médicos, consegui entender sua letra e também pesquisei exame por exame, querendo saber quais as respostas me traria. Em sua grande maioria, a presença da trombofilia genética ou adquirida (anticoncepcional). O exame do RDO marquei para o dia seguinte, já os outros agendei para a segunda da próxima semana. Nas minhas pesquisas já havia lido que quatro deles precisariam de aprovação do convênio, por serem exames raramente pedidos. Convênio e liberação não combinam, não é mesmo? Pois bem, foi outra pedra no caminho. O laboratório passou o pedido que deveria ser analisado em até 5 dias úteis. Porém, após esse tempo, foi feito um pedido de relatório médico, onde o médico explicasse o motivo pelo qual estava sendo pedido. Ai eles falam que é tudo sistema. Que sistema? Será que o sistema da Amil não vê que eu perdi uma filha e claro que seria por essa causa que estava a pesquisar? Bom, isso era uma terça-feira e justo na quarta ele atenderia no CAISM. No dia seguinte estava lá para pegar o relatório. Durante a conversa ele me disse para passar em seu consultório particular para que conversássemos melhor com todos os resultados em mãos. Decidido, na próxima consulta reuniria $$$ e iria. Peguei o relatório e passei para o laboratório enviar para o convênio. Mais 5 dias úteis. Só que convênio é uma porcaria mesmo para embaçar e essa liberação se adiou, junto com ela a minha ansiedade. Resolvi então pedir ajuda para a mina tia Leila, advogada. Foi ai que ela entrou em contato e a liberação veio no mesmo dia, acreditam? Santos advogados! No outro dia fui fazer os quatro exames (Fator V Laiden, MTHFR <C677T e a1298> e Mutação da Protrombina). Doze dias de espera, que com a graça de Deus foi diminuído pela agilidade do laboratório. Com todos meus exames em mãos e o do Raul também, que não ficou muito atrás na demora, marcamos a consulta para algumas semanas seguintes. Mas quem disse que minha ansiedade estava controlada? Pedi para o Dr. e enviei tudo por e-mail, o qual me foi respondido no mesmo dia. Não é abençoado mesmo? A resposta foi sucinta, mas esclarecedora: - Olá Thaísa! Discretíssimas alterações neste momento. Porém a cardiolipina alterada com a sua história sugere usarmos anticoagulante na próxima gestação. Te pedirei depois 2 exames. Te vejo na consulta. Ufa, só mais dois. rsssssss
O dia da consulta chegou e todas nossas dúvidas foram esclarecidas, junto com elas algumas vitaminas receitadas, por causa da minha deficiência de Vitamina D e a necessidade de começar com a administração do ácido fólico, por meio da Natele. O resultado era o anticardiolipina (aquele feito no RDO) levemente alterado e uma mutação genética por parte do meu marido, o que seria amenizado com algumas vitaminas. Ele também teria que passar só mais dois exames lembra?rssss Que nada, ele me pediu mais 25 mesmo. E eu achei maravilhoso! Queria isso mesmo, fazer tudo que eu pudesse. Alguns dele ainda era para investigar a trombofilia, mas outros para ver como o meu corpo estava para uma próxima gestação. Chegando no escritório eu marquei tudo para duas semanas depois, já que tinham alguns de imagens. Fiz e ainda faltaram quatro, por um imprevisto. Voltei em um domingo e a terrível aprovação do convênio. O que foi resolvidos após uns "gritos". Com consulta já marcada para 20 de outubro eu recebi todos os exames NEGATIVOS. Isso mesmo, meus exames deram todos negativos para a doença. Os de imagens, todos dentro da normalidade. Mais uma consulta chegou e meu novo médico me parabenizou pelos resultados e disse que eu estava nova em folha para uma próxima gestação, mas que devido ao meu histórico nada bom - uma perda tardia, indícios de trombose na placenta, anticardiolipina alterada e mutação do meu marido - ele não seria louco de não me passar anticoagulante, a tal heparina. Conhecida também como a picadinha da alegria! *Ela deverá ser aplicada após o positivo, durante todos os dias da gestação, com intervalo de 1 dia antes do parto, mas com retorno em até 45 dias após o nascimento. Sabe que eu não vejo a hora de começar a me furar? rs Ele me deu três amostras para que eu as tomasse assim que descobrisse. Pediu para que eu o avisasse, que ele me passaria um contato para eu comprar essas injeções até o governo me fornecer. Tá ai um assunto chato. Essa medicação é de alto custo, o que envolve a liberação do governo para todo o tratamento. Que particular daria no valor aproximado de R$ 13 mil. Com relatórios e exames que comprovem a doença, eles são obrigados a fornecer durante toda a gestação e em quantas outras forem necessárias. Na verdade eu nem tô me importando com isso, não por causa do dinheiro (porque não tenho mesmo), mas quando eu tiver meu positivo (já estamos na tentativa!!!) eu vou até onde for preciso por causa dessa injeção. Entenderam né? Na casa do prefeito, do secretário da saúde, entro com ação judicial e o que for preciso. Mas é claro que já estou fazendo aquela reserva básica para as primeiras injeções. E agora, todos os dias eu rezo para a minha anjinha Catarina me abençoar, se eu for merecedora, com um irmãozinho para ela. Irmão esse que saberá de sua existência desde o seu nascimento.
No próximo post falarei mais sobre os exames que fiz, claro, por meio de pesquisas, pois não sou profissional da saúde para falar com autonomia do assunto.
*Quero agradecer todo apoio da minha mãe, meu pai, marido e Natashoca durante os meus dias de dor, tristeza e angústia. Ao meu pai por me assessorar em todas as escolhas. As minhas chefes por não se importarem da minha ausência durante os 45 exames. E todos os outros ombros amigos.
Dr. Guilherme Loureiro Fernandes
Pré-natal , Ginecologia, Medicina Fetal,Perdas Gestacionais
Tel: (11) 4229-4321 e (11) 3159-5157
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